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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Infinito

Parece que o dia está acabando. Mas dentro da minha cabeça ele se inicia de novo e mais uma vez a cada instante. Meus olhos guardaram lembranças pra fazer de destino depois. E esse depois já é agora. 
Saudade prematura. Dessas que precisam de banho de luz pra crescer e se manter com vida. 
Lembro do horizonte à nossa frente, aos poucos, desvirginado pela manhã que nos recebia. Tão distante o céu, e perfeito como só o artificial acha fácil ser, que fazia pensar no infinito. E eu só sentia como se estivesse indo rumo ao infinito com você. 
Mais um pouquinho, os raios entrecortavam a penumbra da jovial manhã e lancinavam em cima das pequenas folhas, filhas do outono, que se precipitavam na estrada para nos reverenciar. Brilhavam as folhas e cintilavam o Sol. Que lá na frente, ainda por de trás das montanhas, me fazia pensar no infinito. 
Parece-me ser mais fácil pensar que é o infinito quando para além do que os olhos veem só há o que os olhos não sabem. Mas. É só de parecer. Porque o Sol nasceu todo, cruzou o céu, várias vezes. Se pôs, renasceu, você foi minha e eu me dei. E foi como um suspiro! De repente, tinha sido um vento que soprou meu rosto. 
A brisa que deu, de tão leve, acalmou meu anseio de atracar em você. Então, eu baixei minhas velas e permaneci. Mas o infinito era só uma miragem. A miragem do oásis que é ter você pra mim. De tão bom o tempo se insurge. E segue dando as voltas de quem não vai retroceder. Descobri que não era o infinito. Era a iminente promessa em constante cumprimento de um futuro presente com você.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Das três* fases do amor

- Você me ama por que você quer?
- Não. Eu não diria assim.

..

Você me perguntou se eu te amo porque eu quero. Minha cabeça respondeu prontamente que não. Reconsiderei. Respondeu que amor a gente alimenta. Mas só depois que nasce, né? Respondeu que é planta que se agua, que a gente deixa tomar Sol. E cuida todo, todo dia. Às vezes, a gente conversa com a plantinha, não conversa? Então. Eu não te amo porque eu quero, embora continuar te amando dia após dia seja um processo racional de manutenção emocional. Nossa, Amanda, como você é maluca. Não sei. Mas faz sentido que seja assim pra mim. O amor (paixão) é essa explosão que desponta na gente, desarrazoado, às vezes descabido, quase sempre dono de si e de mais nada quando chega. Mas não é essa sua forma estática. A explosão faz barulho demais: a gente nota que o amor chegou. E daí em diante precisamos permitir que ele fique em casa. Digo. O amor é essa coisinha que chega desautorizada, mas discreta, não bate palmas, mas faz cerimônias pra sentar no seu sofá. E aí, mais dia menos dia, está lá o amor deitadão com as pernas esticadas e o controle da TV colado nas mãos. Veja bem. Quase sempre a gente ama sem querer (sem provocar o processo de apaixonamento). Só que continuar amando envolve desejo, vontade e, mais que os anteriores, querer. Então, se por um lado, eu não te amo porque eu quis (com conotação de escolher) amar você, te amo a cada dia um pouquinho mais somado ao tanto de ontem porque eu quero (decido) amar você hoje enquanto [também] me projeto te amando amanhã! E é isso. Verdades sejam ditas. O período permissivo também não é para todo o sempre duradouro. Como planta que é, o amor se enraíza e aí. Aí já viu. Você puxa daqui, puxa de lá, e as raízes puxam de volta, no sentido oposto e pra baixo. Quer dizer que o amor chega despretensioso, apodera-se autorizado do que há para dominar e depois não sai nem a gritos e vassouradas? É. O amor é esse cara. Por isso é bom a gente cuidar do amor que a gente deixa plantarem na gente. Do amor que a gente rega no peito com a água da razão. Porque depois que razão vira raiz, raiz que vira daninha dá muito trabalho pra arrancar. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Exagerada

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar




Eu sou mesmo assim. 
É sempre a última vez. Tudo ou nada. Eu sinto como se fosse morrer se não fizer dar certo agora. Eu dou tudo de mim e mais um pouquinho. Preciso chorar, precisa doer. "Precisar" com essa conotação de não conseguir fazer diferente.
Fiquei um tempão chamando isso de intensidade. Até porque eu realmente não consigo não viver claricianamente e preferir viver raso, pela metade, sem pular de olhos fechados. E costuma ser muito bom. Mas tem dias, como esse, nos quais é uma grande chatice se sentir assim. Parece que, com certo tempo, já era pra eu ter sacado que ninguém vai morrer se não der certo. Exceto esses pequenos pedacinhos de mim que, precipitados do mais alto eu, destroçam-se na dureza fria do chão da casa do outro. 
Acabo de adicionar este título ao corpo do texto destinado a me qualificar porque penso que andei exagerando. Penso que andei agindo como se só houvesse um caminho, um sonho, um futuro, um certo. Penso que sempre penso que tudo é sempre sobre haver apenas um. 
Looser eu. 
Porque eu quero que seja, sabe? Quero, sim, que seja a última vez, o tudo, o viver como nunca antes quando a cada dia der mais certo. 
Eu não entendo porque fico tão ferida com estes pretensos golpes declaradamente não dolosos. Penso que por isso. Esse my bad que permeia a coisa toda. 
E agora um poema pra finalizar.

Ser foda-se eu não quero.
Viada demais também não quero ser. 
O jeito de resolver isso: cê me avisa.
Porque eu gostaria muito de saber. 

:)

domingo, 17 de janeiro de 2016

Deus me proteja

de mim mesma. 

O mundo lá fora não é todo esse monstro. As tentações, as vielas, os obscuros, as rasteiras, os sobressaltos. Eles já não são tão vilões assim.
Como me ajudaram a concluir há alguns anos, em última análise, tudo se trata de mim comigo mesma. Oh. Que egocêntrica. Minhas decisões, respostas, reações, ações primárias. Sou sempre eu autorizando e abrindo portas para o que eu quero que se aproxime. E, bem, muito embora, a priori, não seja possível saber do que se trata determinada coisa, depois de uma certa linha, é inegável admitir o que se vê. Quando esse momento se realiza, permitir a presença de certas coisas é o que me chamam de tiro no pé. Autossabotagem com a mão do amiguinho!
Quero dizer, nós atraímos e depois permitimos tudo o que nos rodeia. Para depois ficarmos de mãos aos céus perguntando por que onde foi que eu errei que deslealdade não esperava jamais. É. Sendo que fomos nós. Nós a proferir o sim inaugural, responsável por desencadear a merda toda.
Então, chegaram esses dias nos quais, antes de dormir, eu não peço Deus afasta de mim todo o mal amém. Eu apenas toco no ombro do Cara e com algum sarcasmo honesto imploro que ele me ajude com o mais difícil: me proteger de mim.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Vinte e oito não

Eu não sei direito qual o lance, não. Não vou querer explicar a parte que eu sei. To meio farta também. De explicar. De explicar não o que você não tem condições de saber, mas o que você já deveria ter sacado nesses aninhos de experiência na Terra. Não sei quanto tempo cê passou em outros planetas e o que eles priorizavam lá. Aqui nesse planeta também não está fácil de sacar o que a galera prioriza. Mas eu. Poxa, cê já tinha condições de sacar o que eu priorizo. Numa troca diária (relação) como a nossa. Mas. Sei. Lá. Cê preferiu desacar. E, bem, cê acabou comigo mesmo. Em palavras fáceis. Hoje quando eu precisei te olhar, eu não pude. Não dava. Parecia que a sua cara não era coisa de se olhar. O cheiro que vinha de você me atiçava, me chamava, me clamava, mas tudo em mim dizia não. Minhas mãos doíam de tanto segurar os toques loucos de tocar você. Quando cê chegou perto. Velho. Deus sabe que quando cê chegou perto meu corpo inteiro parou pra me deixar beijar sua boca em paz. Mas tudo em mim dizia não. E dizia tanto e dizia tão bem e tão alto e tão claro num timbre tão certo que era isso. Acho que esse não, na verdade, era apenas o barulho dos caquinhos quicando no chão e ecoando pelos dias até aqui. Do meu coração os caquinhos. Doeu rude. Cara. Adicione mais dor e despeje aquele pote inteirinho de fermento e não vai crescer o tamanho da dor que me deu. Não te odiei, não. Nem a mim. Nem a ninguém, antes que se suscite. Foi só dor, sabe? Igual aquela dor de barriga que você não sabe a que atribuir já que vinha comendo tudo certo e nada de diferente. É. Às vezes é bagulho de outro dia. Que só foi fazer efeito aquela hora. A gente sabe que não tem a quem culpar. Mas dói. E, mesmo que não haja culpa, responsabilidade ainda há de haver. E foi isso. Deu um desânimo. Um negócio ruim no peito. Uma emoção tola de se culpar coberta de uma verdade suficiente de a culpa não foi sua. Exceto em insistir. Uma mistura de é pra isso que servem as ilhas com sou tão teimosa as placas avisaram. Sei lá, minha parça. Não tenho saldo pra hoje. Só que estamos aí já de quota gasta. Não é que não tem suporte pra merda, pra problema. É que pra uns e outros desacertos a meta já foi, oh, um sem-número-de-fucking-vezes batida.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Passagens

Parada nos semáforos, pelo cruzamento à frente, vejo carros que passam para os dois sentidos.
Fico pensando que esta música não combina com este momento, mas também não posso passar.
Quando o vermelho troca com o verde, o vento invade mais indelicado pela janela e chacoalha meus cabelos para cima. Poetas, se apaixonados, diriam que dançam. Eu não sou poeta hoje.
Encaro atentamente o horizonte buscando qualquer coisa para a qual sempre olhei, mas nunca vi.
Quero ter olhos novos. Ou apenas coisas novas para olhar. Algo que me atrase o sono por um ou cinco minutos. Que me dê sonhos bons. Algo que me importe quando eu passar.

Da minha última viagem

Definitivamente, Amanda, não tem ninguém competindo o Troféu Brisa com você além de você mesma. Porque, pelo amor de Deus, contando ninguém acredita.
Começo a desconfiar que você está levando a sério demais essa coisa de universo paralelo. E, mesmo assim, tudo ainda seria okay se você não o visitasse no meio da tarde, de uma conversa importante ou, apenas e tão somente, ao fazer outras atividades que, diga-se, deveriam ser consideradas de uso cerebral prescindível como locomover-se entre estações de metrô.
Mas. Né. Não.
Não com nossa favorita. Que que isso.
Você ficou todos esses anos idealizando um teletransporte e daqui estou achando que não era mera idealização. Você o desenvolveu, seguramente. Porque, afinal, que explicação se dá para o poder locomotor que se dá para imagens de um passado recente que, escandaliza-se, arremessa-te a quaisquer muito boas lembranças a ponto do desligamento com o mundo concreto e tangível tornar-se regra em tais circunstâncias?
É. No mínimo, preocupante.
Sorte a nossa a sua previdência te salvar das suas presepadas. Muito embora, não tivesse feito qualquer viagem, a uma hora dessas já estaria para onde ainda está indo.
Tsc tsc.