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quarta-feira, 11 de março de 2026

Segurar de mão aberta

Eu estou vivendo a personagem dos meus sonhos adolescentes – então por que não é tão doce? – À frente do meu computador, em meu escritório, dentro da minha própria casa. Sim, eu não apenas tenho minha casa, como meu escritório dentro dessa casa. Como pode não ser tão doce, se isso é muito mais do que eu jamais desejei expressamente?

Parece que estou duvidando de mim. Descreditando meus créditos como se fossem pequenos. Como se não fosse toda a liberdade que eu passei anos desejando para mim. Meu teto, meu quarto, privacidade, meus horários, meus rituais. Como pode não ser doce? Como é possível que eu tenha, não me acostumado, porque para acostumar precisa primeiro reconhecer, mas ignorado que eu tenho, vivo e sou tanto do que eu passei mais tempo querendo!

Fique sabendo, sim, eu, que isso é muito mais – e por ser muito mais é que eu seguro com tanta força que quase me escapa pelas mãos. Não é não tão doce porque eu ignoro, mas porque me apresso em cuidar de não perder. E essa pressa me apressa a não viver para vigiar.

Se ao menos houvesse uma forma, juntas, de vivermos-cuidarmos. VIVER primeiro, sim. E cuidar enquanto.

Há.

Há?

Há, juntas.

Aaaah (com sofreguidão) ...

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