Páginas

domingo, 17 de janeiro de 2016

Deus me proteja

de mim mesma. 

O mundo lá fora não é todo esse monstro. As tentações, as vielas, os obscuros, as rasteiras, os sobressaltos. Eles já não são tão vilões assim.
Como me ajudaram a concluir há alguns anos, em última análise, tudo se trata de mim comigo mesma. Oh. Que egocêntrica. Minhas decisões, respostas, reações, ações primárias. Sou sempre eu autorizando e abrindo portas para o que eu quero que se aproxime. E, bem, muito embora, a priori, não seja possível saber do que se trata determinada coisa, depois de uma certa linha, é inegável admitir o que se vê. Quando esse momento se realiza, permitir a presença de certas coisas é o que me chamam de tiro no pé. Autossabotagem com a mão do amiguinho!
Quero dizer, nós atraímos e depois permitimos tudo o que nos rodeia. Para depois ficarmos de mãos aos céus perguntando por que onde foi que eu errei que deslealdade não esperava jamais. É. Sendo que fomos nós. Nós a proferir o sim inaugural, responsável por desencadear a merda toda.
Então, chegaram esses dias nos quais, antes de dormir, eu não peço Deus afasta de mim todo o mal amém. Eu apenas toco no ombro do Cara e com algum sarcasmo honesto imploro que ele me ajude com o mais difícil: me proteger de mim.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Vinte e oito não

Eu não sei direito qual o lance, não. Não vou querer explicar a parte que eu sei. To meio farta também. De explicar. De explicar não o que você não tem condições de saber, mas o que você já deveria ter sacado nesses aninhos de experiência na Terra. Não sei quanto tempo cê passou em outros planetas e o que eles priorizavam lá. Aqui nesse planeta também não está fácil de sacar o que a galera prioriza. Mas eu. Poxa, cê já tinha condições de sacar o que eu priorizo. Numa troca diária (relação) como a nossa. Mas. Sei. Lá. Cê preferiu desacar. E, bem, cê acabou comigo mesmo. Em palavras fáceis. Hoje quando eu precisei te olhar, eu não pude. Não dava. Parecia que a sua cara não era coisa de se olhar. O cheiro que vinha de você me atiçava, me chamava, me clamava, mas tudo em mim dizia não. Minhas mãos doíam de tanto segurar os toques loucos de tocar você. Quando cê chegou perto. Velho. Deus sabe que quando cê chegou perto meu corpo inteiro parou pra me deixar beijar sua boca em paz. Mas tudo em mim dizia não. E dizia tanto e dizia tão bem e tão alto e tão claro num timbre tão certo que era isso. Acho que esse não, na verdade, era apenas o barulho dos caquinhos quicando no chão e ecoando pelos dias até aqui. Do meu coração os caquinhos. Doeu rude. Cara. Adicione mais dor e despeje aquele pote inteirinho de fermento e não vai crescer o tamanho da dor que me deu. Não te odiei, não. Nem a mim. Nem a ninguém, antes que se suscite. Foi só dor, sabe? Igual aquela dor de barriga que você não sabe a que atribuir já que vinha comendo tudo certo e nada de diferente. É. Às vezes é bagulho de outro dia. Que só foi fazer efeito aquela hora. A gente sabe que não tem a quem culpar. Mas dói. E, mesmo que não haja culpa, responsabilidade ainda há de haver. E foi isso. Deu um desânimo. Um negócio ruim no peito. Uma emoção tola de se culpar coberta de uma verdade suficiente de a culpa não foi sua. Exceto em insistir. Uma mistura de é pra isso que servem as ilhas com sou tão teimosa as placas avisaram. Sei lá, minha parça. Não tenho saldo pra hoje. Só que estamos aí já de quota gasta. Não é que não tem suporte pra merda, pra problema. É que pra uns e outros desacertos a meta já foi, oh, um sem-número-de-fucking-vezes batida.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Passagens

Parada nos semáforos, pelo cruzamento à frente, vejo carros que passam para os dois sentidos.
Fico pensando que esta música não combina com este momento, mas também não posso passar.
Quando o vermelho troca com o verde, o vento invade mais indelicado pela janela e chacoalha meus cabelos para cima. Poetas, se apaixonados, diriam que dançam. Eu não sou poeta hoje.
Encaro atentamente o horizonte buscando qualquer coisa para a qual sempre olhei, mas nunca vi.
Quero ter olhos novos. Ou apenas coisas novas para olhar. Algo que me atrase o sono por um ou cinco minutos. Que me dê sonhos bons. Algo que me importe quando eu passar.

Da minha última viagem

Definitivamente, Amanda, não tem ninguém competindo o Troféu Brisa com você além de você mesma. Porque, pelo amor de Deus, contando ninguém acredita.
Começo a desconfiar que você está levando a sério demais essa coisa de universo paralelo. E, mesmo assim, tudo ainda seria okay se você não o visitasse no meio da tarde, de uma conversa importante ou, apenas e tão somente, ao fazer outras atividades que, diga-se, deveriam ser consideradas de uso cerebral prescindível como locomover-se entre estações de metrô.
Mas. Né. Não.
Não com nossa favorita. Que que isso.
Você ficou todos esses anos idealizando um teletransporte e daqui estou achando que não era mera idealização. Você o desenvolveu, seguramente. Porque, afinal, que explicação se dá para o poder locomotor que se dá para imagens de um passado recente que, escandaliza-se, arremessa-te a quaisquer muito boas lembranças a ponto do desligamento com o mundo concreto e tangível tornar-se regra em tais circunstâncias?
É. No mínimo, preocupante.
Sorte a nossa a sua previdência te salvar das suas presepadas. Muito embora, não tivesse feito qualquer viagem, a uma hora dessas já estaria para onde ainda está indo.
Tsc tsc.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Acesso nº 3.453.001

Bem vinda, então.

Agora você está aqui dentro.
Está em mim, comigo, onde vou e quando fico. De formas e jeitos tantos que talvez não seja possível contar. E nem numerar. 
Mas é importante que você saiba. O lance aquariano das coisas. Saber. 

Quero te contar o que você já sabe. Que está andando por aqui. Andando, risos. Cê corre, cê pula, pega impulso lá de atrás e vem escorregando de meias. 

Ali do sofá, eu fico lendo minha revista enquanto te olho pelo canto dos olhos. Acho que no fundo estou torcendo pra você se desequilibrar e cair em cima de mim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Deixa eu bagunçar você?



A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar

A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar

A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar

Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração
Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração

A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar

A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar

Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração
Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração

Deixa eu bagunçar você, deixa eu bagunçar você
Deixa eu bagunçar você, deixa eu bagunçar você
A gente fica mordido, não fica?

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ruas e calçadas

Ando pelo Rio.

– É. Rio de Janeiro –
Sorrateira e repentinamente: você está ali.

Atravesso ruas pensando em você.
Pareço cabisbaixa quando caminho calçadas pensando em você.
Do sofá-cama do apartamento de tamanho suficiente pra você estar fazendo falta, te desejo silenciosamente a ponto de nem eu mesma me escutar.
O som que evade das cordas do violinista no parque só não te suplica mais que as palavras que eu não disse.

Eis que quando te vejo: tudo explode.

Desmancho em alguns pedaços. E meu repouso é sobre você.
Descanso da distância, dos duros e frios quilômetros cinzas que jamais me permitiriam te materializar nas ruas e calçadas do Rio.

Quando me dou por mim, estou engolindo você pela respiração.
Numa sofreguidão tão profunda e aparentemente desarrazoada que, bem, só me resta averiguar a quantas bate meu coração.

Como te desejo.
Como te amo.
Parece até.
Que.
Em mim só há você.

Sua presença de repente acerta tudo.
E me faz rir e gargalhar como se houvesse ali o que de melhor existe para o deleite.
Pois bem. Parece-me muito que há.