Eu não sei direito qual o lance, não. Não vou querer explicar a parte que eu sei. To meio farta também. De explicar. De explicar não o que você não tem condições de saber, mas o que você já deveria ter sacado nesses aninhos de experiência na Terra. Não sei quanto tempo cê passou em outros planetas e o que eles priorizavam lá. Aqui nesse planeta também não está fácil de sacar o que a galera prioriza. Mas eu. Poxa, cê já tinha condições de sacar o que eu priorizo. Numa troca diária (relação) como a nossa. Mas. Sei. Lá. Cê preferiu desacar. E, bem, cê acabou comigo mesmo. Em palavras fáceis. Hoje quando eu precisei te olhar, eu não pude. Não dava. Parecia que a sua cara não era coisa de se olhar. O cheiro que vinha de você me atiçava, me chamava, me clamava, mas tudo em mim dizia não. Minhas mãos doíam de tanto segurar os toques loucos de tocar você. Quando cê chegou perto. Velho. Deus sabe que quando cê chegou perto meu corpo inteiro parou pra me deixar beijar sua boca em paz. Mas tudo em mim dizia não. E dizia tanto e dizia tão bem e tão alto e tão claro num timbre tão certo que era isso. Acho que esse não, na verdade, era apenas o barulho dos caquinhos quicando no chão e ecoando pelos dias até aqui. Do meu coração os caquinhos. Doeu rude. Cara. Adicione mais dor e despeje aquele pote inteirinho de fermento e não vai crescer o tamanho da dor que me deu. Não te odiei, não. Nem a mim. Nem a ninguém, antes que se suscite. Foi só dor, sabe? Igual aquela dor de barriga que você não sabe a que atribuir já que vinha comendo tudo certo e nada de diferente. É. Às vezes é bagulho de outro dia. Que só foi fazer efeito aquela hora. A gente sabe que não tem a quem culpar. Mas dói. E, mesmo que não haja culpa, responsabilidade ainda há de haver. E foi isso. Deu um desânimo. Um negócio ruim no peito. Uma emoção tola de se culpar coberta de uma verdade suficiente de a culpa não foi sua. Exceto em insistir. Uma mistura de é pra isso que servem as ilhas com sou tão teimosa as placas avisaram. Sei lá, minha parça. Não tenho saldo pra hoje. Só que estamos aí já de quota gasta. Não é que não tem suporte pra merda, pra problema. É que pra uns e outros desacertos a meta já foi, oh, um sem-número-de-fucking-vezes batida.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Passagens
Parada nos semáforos, pelo cruzamento à frente, vejo carros que passam para os dois sentidos.
Fico pensando que esta música não combina com este momento, mas também não posso passar.
Quando o vermelho troca com o verde, o vento invade mais indelicado pela janela e chacoalha meus cabelos para cima. Poetas, se apaixonados, diriam que dançam. Eu não sou poeta hoje.
Encaro atentamente o horizonte buscando qualquer coisa para a qual sempre olhei, mas nunca vi.
Quero ter olhos novos. Ou apenas coisas novas para olhar. Algo que me atrase o sono por um ou cinco minutos. Que me dê sonhos bons. Algo que me importe quando eu passar.
Fico pensando que esta música não combina com este momento, mas também não posso passar.
Quando o vermelho troca com o verde, o vento invade mais indelicado pela janela e chacoalha meus cabelos para cima. Poetas, se apaixonados, diriam que dançam. Eu não sou poeta hoje.
Encaro atentamente o horizonte buscando qualquer coisa para a qual sempre olhei, mas nunca vi.
Quero ter olhos novos. Ou apenas coisas novas para olhar. Algo que me atrase o sono por um ou cinco minutos. Que me dê sonhos bons. Algo que me importe quando eu passar.
Da minha última viagem
Definitivamente, Amanda, não tem ninguém competindo o Troféu Brisa com você além de você mesma. Porque, pelo amor de Deus, contando ninguém acredita.
Começo a desconfiar que você está levando a sério demais essa coisa de universo paralelo. E, mesmo assim, tudo ainda seria okay se você não o visitasse no meio da tarde, de uma conversa importante ou, apenas e tão somente, ao fazer outras atividades que, diga-se, deveriam ser consideradas de uso cerebral prescindível como locomover-se entre estações de metrô.
Mas. Né. Não.
Não com nossa favorita. Que que isso.
Você ficou todos esses anos idealizando um teletransporte e daqui estou achando que não era mera idealização. Você o desenvolveu, seguramente. Porque, afinal, que explicação se dá para o poder locomotor que se dá para imagens de um passado recente que, escandaliza-se, arremessa-te a quaisquer muito boas lembranças a ponto do desligamento com o mundo concreto e tangível tornar-se regra em tais circunstâncias?
É. No mínimo, preocupante.
Sorte a nossa a sua previdência te salvar das suas presepadas. Muito embora, não tivesse feito qualquer viagem, a uma hora dessas já estaria para onde ainda está indo.
Tsc tsc.
Começo a desconfiar que você está levando a sério demais essa coisa de universo paralelo. E, mesmo assim, tudo ainda seria okay se você não o visitasse no meio da tarde, de uma conversa importante ou, apenas e tão somente, ao fazer outras atividades que, diga-se, deveriam ser consideradas de uso cerebral prescindível como locomover-se entre estações de metrô.
Mas. Né. Não.
Não com nossa favorita. Que que isso.
Você ficou todos esses anos idealizando um teletransporte e daqui estou achando que não era mera idealização. Você o desenvolveu, seguramente. Porque, afinal, que explicação se dá para o poder locomotor que se dá para imagens de um passado recente que, escandaliza-se, arremessa-te a quaisquer muito boas lembranças a ponto do desligamento com o mundo concreto e tangível tornar-se regra em tais circunstâncias?
É. No mínimo, preocupante.
Sorte a nossa a sua previdência te salvar das suas presepadas. Muito embora, não tivesse feito qualquer viagem, a uma hora dessas já estaria para onde ainda está indo.
Tsc tsc.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Acesso nº 3.453.001
Bem vinda, então.
Agora você está aqui dentro.
Está em mim, comigo, onde vou e quando fico. De formas e jeitos tantos que talvez não seja possível contar. E nem numerar.
Mas é importante que você saiba. O lance aquariano das coisas. Saber.
Quero te contar o que você já sabe. Que está andando por aqui. Andando, risos. Cê corre, cê pula, pega impulso lá de atrás e vem escorregando de meias.
Ali do sofá, eu fico lendo minha revista enquanto te olho pelo canto dos olhos. Acho que no fundo estou torcendo pra você se desequilibrar e cair em cima de mim.
Agora você está aqui dentro.
Está em mim, comigo, onde vou e quando fico. De formas e jeitos tantos que talvez não seja possível contar. E nem numerar.
Mas é importante que você saiba. O lance aquariano das coisas. Saber.
Quero te contar o que você já sabe. Que está andando por aqui. Andando, risos. Cê corre, cê pula, pega impulso lá de atrás e vem escorregando de meias.
Ali do sofá, eu fico lendo minha revista enquanto te olho pelo canto dos olhos. Acho que no fundo estou torcendo pra você se desequilibrar e cair em cima de mim.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Deixa eu bagunçar você?
A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar
A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar
A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar
Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração
Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração
A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar
A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar
Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração
Peguei até o que era mais normal de nós
E coube tudo na malinha de mão do meu coração
Deixa eu bagunçar você, deixa eu bagunçar você
Deixa eu bagunçar você, deixa eu bagunçar você
A gente fica mordido, não fica?
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Ruas e calçadas
Ando pelo
Rio.
– É. Rio de
Janeiro –
Sorrateira e
repentinamente: você está ali.
Atravesso
ruas pensando em você.
Pareço
cabisbaixa quando caminho calçadas pensando em você.
Do
sofá-cama do apartamento de tamanho suficiente pra você estar fazendo falta, te
desejo silenciosamente a ponto de nem eu mesma me escutar.
O
som que evade das cordas do violinista no parque só não te suplica mais que as palavras que
eu não disse.
Eis que
quando te vejo: tudo explode.
Desmancho em
alguns pedaços. E meu repouso é sobre você.
Descanso
da distância, dos duros e frios quilômetros cinzas que jamais me permitiriam te
materializar nas ruas e calçadas do Rio.
Quando me dou
por mim, estou engolindo você pela respiração.
Numa
sofreguidão tão profunda e aparentemente desarrazoada que, bem, só me resta
averiguar a quantas bate meu coração.
Como te
desejo.
Como te amo.
Parece até.
Que.
Em mim só há você.
Sua presença
de repente acerta tudo.
E me faz rir
e gargalhar como se houvesse ali o que de melhor existe para o deleite.
Pois bem.
Parece-me muito que há.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Acolhimento (na íntegra)
Quando este blog surgiu, eu procurava divulgar as atualizações de algum modo: para os amigos, exibindo o link em alguma rede social ou despretensiosamente numa conversa de MSN.
Agora não faço mais nada disso.
Significa que o mais provável é que eu venha sendo minha única leitora pelos últimos meses.
De todo modo, eu acredito que, quando se escreve algo e se dá publicidade a isso, a menor que seja, essa publicação emana a energia do que foi escrito ali para o mundo exterior. E energia é aquilo que a gente já sabe: corre o universo se transformando daqui para lá até voltar à origem em alguma forma distorcida, não reconhecível, porém correspondente.
**
Há algumas semanas, eu escrevi, sendo bastante sucinta, algo sobre como a forma de amar das pessoas me parecia egoísta. Bem. Eu não estava legal.
Entretanto, há alguns dias, eu fui me encontrar com um amigo que, como a maioria das pessoas que vinha me amando [da mencionada maneira], é mais velho e, não necessariamente por isso, recai sobre a fatal tendência de ter algumas opiniões mais conservadoras ou tradicionais ou, tão somente, políticas de guerra fria, boa vizinhança – e nem preciso dizer que tais não me apetecem. Invariavelmente, sobrepõem a culpa na vítima e aconselham que não se exponha, que se preserve, que previna a agressão com qualquer comportamento no qual se torne prisioneira de si própria.
Sem novas delongas: a conversa foi extremamente acalentadora! Eu, talvez na defensiva, imaginei que soubesse tudo que ele fosse me dizer. Mas fui surpreendida por um discurso completamente acolhedor. Que, por outro lado e tanto melhor, não deixou qualquer firmeza de fora.
Eu que já não estava mais tão chateada com a forma de amar das pessoas e tentava retomar a postura de aceitar que as pessoas dão somente o que têm pra dar, fui desta vez totalmente desarmada.
Existem, sim, pessoas que amam com olhos capazes de ver além de suas próprias perspectivas e não se acovardam diante de lutas injustas mesmo que estas não se dirijam a elas.
É como quero ser. É como quero amar. Porque, eu posso garantir, faz toda a diferença ser amada assim.
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