terça-feira, 19 de maio de 2015

Feira livre

Atravessei o portão, contando com a sorte.
O carrinho na mão é de pequeno porte.

Quem sabe quanto é preciso pra fazer sentir feliz?
Poucas vezes o nada é mais do que aquilo que se diz.

A feira é livre. Meu amor também quer ser.
Quer gritar a altos timbres que é inútil não querer.

Por tanto não querer é que inflama.
Portanto, se aquieta, aceita, ama.

Atravessei a rua, as pessoas, desviei.
A música no play era sua. Deixei.

Que rumo, que pressa, que destino, que vil.
Sem jeito, é tarefa, não é castigo. Mentiu.

Mas se ela vai, muda tudo.
Se ela for, acha o rumo.

Volto à feira, agora não tão livre.
Moça, você está muito na beira: não pire.

Eu vou comprar morangos pra ela! Me deixe ir lá.
- São os mofados que me lembram você. Mas não são os que vou levar.

Na geladeira guardei. Na geladeira esqueci.

Bobeira. Não levei.

Canseira. Só andei.

Atravessei a linha, passei dos limites: parei de pensar.
Ela sambou neles. Ao som da própria voz, me fez dançar.

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