sábado, 27 de novembro de 2010

Conversa de um.


Tinha pensado em algumas palavras. Palavras que eu não posso dizer. Não! São palavras que eu não devo pensar... O que eu faço? Calo e restrinjo minha sanção... À própria moral?
- Que moral? – Cutucou, sarcástico.
O que fazer então com todas aquelas palavras eu não sei. E se eu escondesse que a última coisa que eu pensei antes de dormir era que você é a última coisa que eu penso antes de dormir? E então se eu negar que todas as gotas confusas da chuva, não importa em que ritmo caiam, sempre, aos meus ouvidos, estão sussurrando seu nome, me ajudando a clamar por você? E então se eu fingir que minha memória olfativa suportaria esquecer a essência do perfume que é teu, ainda que senti-lo faça com que esse corpo beire a perda do controle que tanto aprecia beirar? Se eu fingir que não me inebria? Que me faria cair em sono profundo, se, na verdade, não me dispusesse a maior das disposições? E se ao invés de não dizer, não pensar, esconder, negar, fingir, eu realmente não sentir estas coisas imorais? Será que, no fim, isto seria amar menos você? Será que me confundiria em meu próprio personagem? Será que, em algum lugar de mim, não estaria eu mesma te amando como se tudo de mais livre fosse?
- Mas quantas perguntas... – Comentou num tom cansado para que eu não o obrigasse a responder.

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